Orunmilá o Orixá da Sabedoria do culto Yoruba

Posted by Alberto Ebomi at 14:40 0 Comments
Orunmilá é a soma da sabedoria suprema, a vida e a morte, o nascimento da natureza, a visão total do mundo e da existência estabelecendo normas éticas que irão comandar as sociedades e os homens, e assim determinando uma conduta nobre diante de todas as forças que se formam contra o bem da humanidade.  É o equilíbrio que ajusta as força que conduz a sustentação do planeta.   Orunmilá representa a antiga sabedoria do Culto Yorubá. Orunmilá é o Orixá senhor da sabedoria e do conhecimento, que tendo adquirido o direito de viver entre o órun (céu) e o aiye (terra), tudo sabe e tudo vê em todos os mundos.

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Por isso, conhece todos os destinos e sabe como propiciar o sucesso em todos os âmbitos, além de revelar o orixá pessoal de cada um, ou seja, a substância da qual cada um foi extraído na atual existência e como integrar o indivíduo neste princípio divino. Como elerii ipin (testemunha da criação ou destino), detém conhecimento do passado, presente e futuro de todos os habitantes do aiye (terra) e do órun (céus).

Orunmilá (Orunlá) é o interventor e defensor dos seres humanos, sempre tentando minorar os sofrimentos e dificuldades que enfrentam na saga das suas sucessivas existências na Terra.
Conta o itan que, após permanecer na Terra por algum tempo, Orunmilá retornou ao órun (céu espiritual), esticando uma longa corda pela qual ascendeu.   Os seres humanos ficaram totalmente desorientados, o caos, a fome e a peste imperaram na Terra, já que ele era o porta-voz da vontade de Olodunmare. O ciclo de fertilidade das plantas e animais foi interrompido, trazendo ameaça de extinção.

O clamor pela sua volta não foi atendido, mas deixou com seus filhos os 16 ikin (coquinhos de dendezeiro), que se transformaram num importante instrumento de adivinhação. Entregou os ikin instruindo que sempre que desejassem as coisas boas e realizações positivas na vida, deveriam consultar os coquinhos. Daí nasceu o sistema oracular denominado Ifá, que auxilia o ser humano na resolução dos seus problemas cotidianos, nos conflitos e nas dúvidas existenciais, como mediador entre o humano e o divino.

Uma modalidade oracular mais popular é o Opelé Ifá. Apenas sacerdotes iniciados no culto de Orunmilá - os Oluwo Ifá e Babalawo – são credenciados para utilizar esses oráculos.

Os oráculos são baseados no sistema binário e comportam 256 combinações matemáticas que definem os caminhos de odú, com seus milhares de itans (mitos) e owe (parábolas). Sua missão foi organizar as relações humanas, e orientar em todo tipo de assunto, valendo-se para isto dos itans relatados pelos odús.

Todo o corpo filosófico da religião yorubá se resume nesses signos de Ifá – os odús, que por sua vez se subdividem em caminhos com os respectivos itans (lendas), que são mitos de instrução, orientação e aconselhamento.

Na tradição religiosa Ogboni-Ifá, nada se empreende sem prévia consulta ao oráculo, que é um instrumento de transmissão do aconselhamento divino para que situações sejam revertidas ou confirmadas.

A Sabedoria


Naquele tempo, Orunminlá não era mais que um jovem, de excepcional possuía apenas a vontade imensa de saber tudo o que pudesse.
Em suas andanças sobre os países então conhecidos, soube da existência de um grande palácio, onde havia 16 quartos, num dos quais encontrava aprisionada uma belíssima donzela denominada Sabedoria.
Muitos jovens aventureiros, guerreiros poderosos, príncipes e monarcas já haviam sucumbido na tentativa de resgatar a bela jovem.

Determinado a conquistar Sabedoria, Orunmilá dirigiu-se ao local onde estava edificado o palácio e no caminho encontrou um mendigo que lhe estendeu a mão pedindo um pouco de comida. Colocando a mão em seu embornal, Orunmilá dali tirou um pequeno saco com farinha de inhame, que era tudo que tinha para comer e de uma cabaça um pouco de epô (dendê), misturando tudo e dividindo com o mendigo, comendo uma pequena parte do alimento.

Depois de alimentar-se, o mendigo revelou a Orunmilá o seu nome, dizendo que se chamava Exu e como agradecimento ofereceu ao jovem aventureiro um pedaço de marfim entalhado, dizendo:
“Com este marfim denominado Írófá deverás bater em cada uma das 16 portas do palácio, pois só assim elas se abrirão. Do interior de cada quarto ouvirá uma voz que te perguntará ‘quem bate? “. Você se identificará dizendo que é Ifá, o senhor do Írófá. Pois só assim cada uma revelará o seu segredo.

A primeira porta – Odu Éjì Ogbè (Ejionilê)


Representa o conhecimento da vida.
A voz perguntará então:
O que está procurando?
E você dirá, estando diante da porta do primeiro quarto, que deseja conhecer a vida, a competição entre os homens e que quer conquista-lá em nome de Éjì Ogbè, o princípio de tudo.
A porta então se abrirá e você conhecerá os segredos da vida.

A segunda porta Òyèkú Mèjì


Representa o conhecimento sobre a morte.
No segundo quarto, quando a voz te perguntar o que deseja, depois de ter se identificado como antes, dirá que deseja conhecer Ikú, a Morte e que deseja dominá-la. Aprender a dependência das almas com a Morte e a reencarnação por intermédio de Òyèkú Mèjì. Então a porta se abrirá e você conhecerá a Morte, seus horrores e seus mistérios.
Se não demonstrar medo em sua presença irá adquirir o domínio absoluto sobre ela.

A terceira portaÌwòrì Méjì


Representa o conhecimento da vida espiritual com as forças do Òrun.
Na terceira porta encontrará um guardião denominado Ìwòrì Méjì, o anjo exterminador que, depois de reverenciado, colocará diante dos seus olhos a determinação do criador sobre a Terra, os mistérios da vida espiritual e dos nove espaços do Òrun, onde habitam deuses e sombras e todas as classes de espíritos que irá conhecer.

A quarta porta - Òdí Méjì

Representa o domínio da matéria sobre o espírito.
Na quarta porta você reclamará por conhecer o domínio da matéria sobre o espírito, a lei do Karma e a formação do gênero humano. O guardião desta porta chama-se Òdí Méjì, a quem deverá demonstrar respeito e submissão. É necessário que não se deixe encantar pelas maravilhas e os prazeres que se descortinarão diante de teus olhos, pois podem te escravizar para sempre, interrompendo sua busca.

A quinta porta - Ìròsùn Méjì


Representa o domínio do homem sobre seus semelhantes.
Na quinta porta quando for indagado dirá, diante de Ìròsùn Méjì, que procura o acaso da vida. O domínio do homem sobre seus semelhantes através do uso das forças físicas e imposições dos homens. Aprenda, mas não utilize jamais as técnicas reveladas para o mal. Apenas como defesa, para não se tornar vítima delas.

A sexta porta - Òwónrín Méjì

Representa o equilíbrio que deve existir no Universo.
Na sexta porta será recepcionado por um gigante do sexo feminino que deve ser saudado por Òwónrín Méjì a quem solicitará ensinamentos relativos à possessão espiritual, à cura dos seres vivos e ao equilíbrio que deve existir no Universo. Compreenderá então o valor da vida e a necessidade da morte, o mistério que envolve a existência das montanhas e das rochas. Ali será tentado pela possibilidade de obter muita riqueza, mulher, filhos e bens incomensuráveis. Resista a estas tentações ou verá ser reduzida a uns poucos dias de luxúria.

A sétima porta - Òbàrà Méjì


Representa o poder da realização dos desejos e sonhos do ser humano.
Agora estará diante da sétima porta. O habitante deste quarto chama-se Òbàrà Méjì, é velho e se apresenta de aparência bonachona. Poderá te ensinar prestígios da cura, soluções para os problemas mais intrincados e te dará a possibilidade de realizar todos os desejos dos humanos. Tome cuidado, pois o domínio desses conhecimentos podem te conduzir à prática da mentira, à falta de escrúpulos e o desequilíbrio mental.

A oitava porta - Òkánrán Méjì


Representa o poder da palavra do ser humano.
No oitavo quarto deverá solicitar a permissão de Òkánrán Méjì para conhecer o poder da fala humana, que infelizmente é muito mais usada na prática do mal do que para o bem e o encadeamento das forças. Este guardião te falará em muitas línguas e de sua boca só ouvirá lamúrias. Aprende depressa e depressa foge deste local, onde imperam a falsidade e a traição.

A nona porta - Ògúndá Méjì


Representa os malefícios da corrupção e da decadência no ser humano.
Diante da nona porta, pedirá permissão ao seu guardião, Ògúndá Méjì para conhecer a corrupção e a decadência, que podem levar os seres humanos aos mais baixos níveis de existência. Naquele quarto, encontrará os vícios que assolam a humanidade e que a escravizam em correntes inquebráveis. Verá o assassinato, a ganância, a traição, a violência, a covardia e a miséria humana, brincando de mãos dadas com muitos infelizes que se tornam seus servidores.

A décima porta - Òsá Méjì


Representa o poder do fogo e da influência dos astros no ser humano.
No décimo aposento deverá apresentar reverências a uma poderosa feiticeira, cujo nome é Òsá Méjì. Ela vai contar o poder que a mulher exerce sobre o homem e o porquê deste poder. Conhecerá seres poderosos que praticam o bem e o mal, denominadas Ajé que vão lhe oferecer seus serviços maléficos. Caso aceito fará de você o mais poderoso e o mais odiado ser da face da Terra.
Aprenderá a representação do tempo, a dominar o fogo, a utilizar a influência dos astros sobre o que acontece no mundo. Saberá das relações entre o sol e a Terra e a Terra e a Lua, principalmente a influência da Lua sobre os seres vivos. Cuide para que estes segredos não te transformem em um feiticeiro maldito.

A décima primeira porta - Ìká Méjì


Representa o mistério da reencarnação e o domínio sobre os espíritos.
Bata agora com o seu Írófá na décima primeira porta e a voz do guardião Ìká Méjì lhe dirá onde os peixes povoaram os mares, o gigante em forma de serpente te fará estremecer. Saúde-o respeitosamente e solicite dele a permissão para conhecer o mistério que envolve a reencarnação, o domínio sobre os espíritos Àbíkú que nascem com o destino de uma vida curtíssima. Aprenda a dominar este segredo e desta forma poderá livrar muitas famílias do luto e da dor.

A décima segunda porta - Òtúúrúpòn Méjì


Representa os segredos da criação da Terra.
Esta porta te reserva sustos e surpresas sem fim. Seu guardião se chama Òtúúrúpòn Méjì e é do sexo feminino. Possui forma arredondada, mas se parecendo com uma grande bola de carne quase disforme. Trata-se de um gênio muito poderoso que poderá lhe revelar todos os segredos que envolvem a criação da Terra, além de te ensinar como obter riquezas inimagináveis. Aprenda com ele o segredo da gestação humana e a maneira como evitar abortos e partos prematuros. Depois parta respeitosamente em busca da próxima porta.

A décima terceira porta - Òtúrá Méjì


Representa o pleno poder sobre a matéria, a força mágica.
Bata com cuidado e muito respeito, neste quarto reside um gigante chamado Òtúrá Méjì, que costuma comunicar-se de forma íntima e constante com a energia da criação. Aprenda então como nasceu à raça humana, o domínio do homem sobre todos os animais e como é possível separar as coisas.
Domine os mistérios de dissociar os átomos, adquirindo assim pleno poder sobre a matéria. Aprenda também a utilizar a força mágica que existe nos sons da fala humana, mas use esta força terrível com muita sabedoria.

A décima quarta porta - Ìretè Méjì


Representa o poder dos segredos dos espíritos da Terra.
Já diante da décima quarta porta, irá se deparar com Ìretè Méjì, que nada mais é do que o próprio espírito de Ilé, a terra. Faça com que desvende seus mais íntimos segredos, aguarde-o e preste lhe permanente reverência e sacrifício. Saiba como ir e voltar do reino de Ikú. Contate por seu intermédio os espíritos da terra, “Onilé”, transformando-os em seus aliados. Aprenda com ele o poder da cura.

A décima quinta porta - Òsé Méjì


Representa os males físicos do ser humano.
Na décima quinta porta será recepcionado por Òsé Méjì, que irá te ensinar sobre degeneração, decomposição, doenças, perdas e putrefação. Aprenda que é perdendo que se ganha, siga sempre pelo caminho mais modesto.
Aprenda a sanar estes males e saia daí o mais depressa possível para não ser também vitimado por tanta negatividade.

A décima sexta porta - Òfún Méjì


Representa a união dos poderes dos outros 15 Odù de Ifá.
Finalmente a décima sexta porta, o último dos obstáculos que te separam da sua desejada musa. Aí reside Òfún Méjì, o mais velho e terrível dos 16 guardiões, aquele que ressuscita os mortos, saúde-o com temor, dizendo “Epá imọlẹ” só assim poderá aplacar a sua Ira.

Contemple-o, mas não o encare, observe que ele não é como os outros que você já conheceu durante a caminhada. Ele é a reunião de todos os demais e que nele habitam e que nele se dissipam, somente de forma ilusória. Conhecê-lo é conhecer todos os segredos do Universo.
“Se for está a sua busca, então você encontrou a “Sabedoria”, leve-a consigo até a eternidade. ”

Àse, Àse, Àse O.



fonte: Orisa/ifá


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