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A lenda: a metamorfose de Ogum

Posted by Alberto Ebomi at 15:20 0 Comments
Conta a lenda a metamorfose de Ogum que YEMANJÁ OKUTÉ vivia na terra Sutiro Inlé com OGUNDALÉ (ALAGUEDE) e seus três filhos: Exú, AKOKÓ e IGBO. IGBO tinha um cabelo comprido e encaracolado como a lã de um carneiro. Exú era mágico e AKOKÓ trabalhava no campo. IGBO era caçador. YEMANJÁ OKUTÉ ao ver o mal comportamento de seus filhos, pôs Exú de castigo atrás da porta e seguiu vivendo com AKOKÓ e IGBO.

Então ESHÚ começou a fazer a vida ficar impossível para YEMANJÁ e para seus filhos e por isso ela decidiu ir ver o AWÓ (babalawo) daquela terra, chamado SIRÉ AWÓ. Este lhe fez uma consulta com IFÁ e lhe disse que tinha um filho caçador e se ele fosse caçar na mata naquela lua nova e não fizesse Ebó, OZAIN o encontraria e o juraria em seu segredo e não o deixaria voltar para casa. Iemanjá voltou para sua casa assustada e disse a IGBO que IFÁ dizia que ele não poderia ir caçar por esses dias. IGBO não obedeceu e saiu a caçar em companhia de vários caçadores.


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Quando adentraram na mata e viram uma grande mata de IROKO, combinaram de estipular que ali seria um ponto de referência de encontro e cada qual ia caçar em seu lugar e voltariam ao ponto de referência. Já dentro da mata IGBO se encontrou com OZAIN que vinha cantando:

OZAIN BOMBO ELENU SHAKOTA OZAIN BOMBO


OZAIN quando o viu disse: Venha comigo aonde está o meu segredo, e lhe deu três APARÓ (codornas) e Ossain levou IGBO diante a seu segredo e preparou o necessário para jurá-lo, buscou os Ewés (ervas) apropriados e IGBO começou a dormir. Durante o tempo em que durou a caça, não se sabia onde ele estava e ele começou a sofrer uma transformação e se converteu em ODÉ e nunca mais soube o que se passava no mundo dos vivos. Quando a caça terminou, todos os caçadores se reuniram aos pés de IROKO e ao ver que IGBO não vinha, o chamaram com o corno (chifres), mas foi em vão, porque este não vinha e eles começaram a cantar:

FARÁ ARERÉ AFINIBÓ FARÁ ARERÉ KEKÉ OMO RODÉ

E cantando esse suyere regressaram à terra de Sutiro inlé, onde vivia a família de IGBO.

Quando chegaram AKOKÓ e OGUNDALÉ perguntaram por IGBO, e eles disseram que eles não tinham notícias dele depois que se separaram. AKOKÓ ficou inquieto, mas OGUNDALÉ não vacilou, já que sabia porque seu omo IGBO estava passando por aquela prova.

AKOKÓ não teve paciência e foi à casa de SIRÉ AWÓ para fazer uma consulta com Ifá, onde este lhe disse os mesmos conselhos que ele deu para seu irmão IGBO.

AKOKÓ foi onde estava seu BABA TOBI (pai) e forjou (fez) sete instrumentos: Picareta, Pá, Martelo, Bigorna (Yunke), Facão, Rastelo e Barreta. Então as lavou com EWÉ (alfavaca e picão preto) e lhe deu Ejebalé de Akukó Oka. Ele arrumou o Akukó e o colocou junto com suas peças em suas costas e saiu por dentro da mata onde ia abrindo uma trilha com sua enxada e ia cantando:

OGUN NIKOTÓ BOWALÉ MARIWÓ LELE MARIWÓ DIERE OGUN

NIKOTÓ BOWALÉ MARIWÓ LELE MARIWÓ LA ORÉ


Então se encontrou com seu irmão que era ABANPOPÓ (o corpo coberto de penas) porque como eram caçadores, lhes colocavam as penas de seus inimigos em cima deles. AKOKÓ o colocou nas costas e saiu da mata com ele e o levou para sua casa. YEMANJÁ OKUTÉ não quis receber seu filho desobediente, o qual vinha coroado com as galhadas de AGBANI, ERAN MALU, onde YEMANJÁ OKUTÉ disse que IGBO não merecia o carinho de sua mãe e de seu pai e AKOKÓ respondeu:

Se vocês não querem ver mais a IGBO, não verão mais a mim tampouco. Eu não vivo sem ele e prefiro estar separado de meus pais a estar longe de meu irmão OKANANI (mesmo coração).

Então ele deu o Akukó para sua mãe YEMANJÁ e começou a cantar:

AWÁ GBOGBO NILOGUN ONILÉ TONA NILAGUEDÉ AWI SIBÁ
OMANAYÉ OGUN AKOKÓ LELE ONI GBOGBO KOLÓ IRI
MARIWÓ OBODÉ OGUN DE MARIWÓ OBODÓ OBODÉ

Então AKOKÓ se foi com seu irmão ODÉ e com as peças que havia forjado (feito) e se transformou em OGUN. OZAIN, que não podia suportar a ausência de ODÉ, que era seu discípulo preferido, foi se aproximando e se opôs de OGUN estar com ODÉ, mas OGUN disse a OZAIN:

Falta-te a coroa para que tu sejas grande, porque tua coroa não cabe bem em sua cabeça. Então OGUN disse a OZAIN: Vamos fazer um pacto para que tenhas coroa, e então lhe forjou uma com 16 pássaros, que sempre OZAIN tinha em cima dele e OGUN lhe fez EKUN KENEUN e OLOGBO ao segredo de OZAIN e lhe cantou:

AWÁ DE AWÁ MADEO OZAIN TEMI TOUSA LAYÓ WÁ


Então eles fizeram um pacto onde os três se representavam pelos ferros, cada um em seu caminho. YEMANJÁ OKUTÉ, desolada de ter perdido seus filhos, se transformou em YEMANJÁ ALAGUEDÉ e em pouco tempo se encantou e se foi desse mundo. AWÓ SIRÉ chegou a ocupar seu lugar na terra, transformando-se em OGUN.

Desde então é que OGUN, Oxossi e OZAIN são OKANANI (o mesmo coração).

Orixá Ogum torna-se rei de Irê: A lenda

Posted by Alberto Ebomi at 17:17 0 Comments
Conta a lenda (iton) como o Orixá Ogum torna-se rei de lrê, quando o Orixá Oduduwá reinava a cidade de Ifé, mandou seu filho Ogum guerrear e conquistar os reinos vizinhos. Ogum destruiu muitas cidades e trouxe para Ifé muitos escravos e riquezas, aumentando de maneira fabulosa o império de seu pai.

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Um dia, Ogum lançou-se contra a cidade de lrê, cujo povo o odiava muito. Ogum destruiu tudo, cortou a cabeça do rei de lrê e a colocou num saco para dá-lá a seu pai. Alguns conselheiros de Odudua souberam do presente que Ogum trazia para o rei seu pai.

Os conselheiros disseram a Oduduwa que Ogum desejava a morte do próprio pai para usurpar-lhe a coroa. Todos sabem que nenhum rei deve ver a cabeça decapitada de outro rei.

O Orixá Ogum não conhecia esse tabu.
Odudua imediatamente enviou uma delegação para encontrar Ogun fora dos portões da cidade. Após muitas explicações, então Ogum concordou em entregar a cabeça do rei da Cidade de lrê aos mensageiros de Odudua. O perigo havia acabado.

Ogum fora encontrado antes de chegar ao palácio de seu pai. Como Odudua queria recompensar o seu filho mais querido, presenteou Ogum com o reino de lrê e com todos os prisioneiros e as riquezas conquistadas naquela guerra. Assim Ogum tornou-se o Onirê, o rei de lrê.

CONHEÇA MAIS SOBRE OGUM:







Xirê do Orixá Ogum em Ketu: Letra e Tradução para Português


Por que se fala “IBORU IBOYA IBOSHESHE”: A HISTÓRIA

Posted by Alberto Ebomi at 10:45 0 Comments
Neste pataki irá mostrar por que se saúda IBORU, IBOYA, IBOSHESHE entre os membros (família de Ifá), toda cultura tem sua saudação particular, no Candomblé Ketu (fala-se Motumbá / Motumbalaxé responde-se), na nação de Angola (fala-se Mukuiu/ Mukuiu no Zambi responde-se), no Gegê (fala-se kolofé/ kolofé Olorun responde-se), mas o Iton (lenda) de hoje é sobre Iboru, Iboiá, Iboxexé.

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A HISTÓRIA DE IBORU IBOYA IBOSHESHE


“Onde OLÓFIN prendeu todos os BABALAWÓS”
OLÓFIN sentenciou aos BABALAWÓS à serem presos e decapitados.
Somente ficou faltando ORUNMILÁ “OGUNDA MEJI”, porque estava fazendo algumas oferendas e sacrifícios.

Os animais sacrificados foram cozidos e colocados numa bolsa com outros ashés.
Partiu em direção à casa de OLÓFIN e no meio do caminho sentou-se embaixo de uma árvore e viu uma mulher na beira de um rio, que falou: Cuidado veio parindo uma bananeira ( falou em parábolas).

A mulher lhe disse que havia muitas ciladas pelo caminho.

ORUNMILÁ “Ogunda Meyi” lhe deu uma galinha e lhe perguntou o seu nome, esta responde: IBORU IBOYA

Seguindo o seu caminho ORUNMILÁ “Ogunda Meyi” encontrou-se com outra mulher cortando lenha que ao vê-lo falou:
Que todos os BABALAWÓS ficaram presos, tenha cuidado!

ORUNMILÁ tirou de sua bolsa uma galinha e deu a mulher de presente e perguntou seu nome, e ela respondeu: IBOYA
IBOSHESHE

Ogunda Meyi se despediu da segunda mulher e seguiu seu caminho, mais na frente encontrou a terceira e última mulher.
Esta lhe disse que OLÓFIN desejava casar sua filha, Ogunda Meyi lhe deu de presente uma galinha e perguntou o nome dela e esta respondeu: IBOSHESHE

Ogunda Meyi chegando à casa OLÓFIN, este lhe disse que o estava esperando para fazer um jogo (osode) com IFÁ, porque tinha em uma parente grávida e gostaria de saber qual a oferenda seria necessária para que a mulher parisse bem.
Ogunda Meyi que sabia da cilada lhe respondeu:

Isso não será necessário, porque a bananeira não pode parir. Descoberto o segredo de OLÓFIN, além disso, disse a e ele que mantinha presos todos os demais BABALAWÓS e deveria soltá-los rapidamente  para poder salvar-se e que ele também desejava casar a sua filha.
OLÓFIN desconcertado e vendo que tudo era verdade libertou à todos os BABALAWÓS.

Ao sair Ogunda Meyi lhe disse que isto havia acontecido por desobediência e que havia sido salvo por fazer algumas oferendas e sacrifícios.
Agradecido OLÓFIN disse ODUPKÉ Ó (obrigado)!

Porém Ogunda Meyi sabia da cilada, pois as três mulheres o avisaram.

ORUNMILÁ tomou as três mulheres como esposa e assim as salvou. Disse a todos que deste dia em diante, quem se dirigisse a ele deveria dizer:
IBORU, IBOYA, IBOSHESHE em homenagem as mulheres que os salvaram, as três sortes de ORUNMILÁ.

leia também:

A CASA DE AJALA: Lenda de Ori (cabeça)


A Orientação Divina em nossas Vidas - Orixás

Oyá tem uma irmã mais nova chamada Ayaó

Posted by Alberto Ebomi at 09:49 0 Comments
Ayaó é a irmã mais nova do Orixá Oyá, em alguns caminhos também dizem que é a irmã mais velha. Diz-se que é filha de Oduduwá e foi criada junto com Bromu. Tem pacto com Ozain(Ossain) e Iroko e por isso se diz que ela é o Orixá das bruxarias. Pode viver na selva ou em cima de Iroko, sempre no alto, pois se caracteriza como a Orishá das Nuvens…Outros escritos também dizem que ela vive dentro das raízes da Ceiba Sagrada.

Ayaó foi quem deu a Oyá os segredos da Magia e do Misticismo. Seus segredos se guardam em uma sopeira que se mantém no alto, em uma casa de Omo Orishás (filhos de santo) que a recebe. Usualmente são os filhos de Oyá os que a recebem, embora haja signos (odús) onde pode acontecer que alguém necessite recebê-la. Aqueles que a possuem, a mantém em um livrinho atado ao teto do lugar com correntes.

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Ayaó é amiga dos espiritistas e dos médiuns. Cuidadora da Saraza de Egun. Orishá das alturas. Ela foi quem subiu e deu a mesa à Oduduwá. Caracteriza-se como um Orishá do Deserto. Vive nos altos de Iroko e não deve baixar ao chão ou tocar o piso, por isso suas cerimônias se realizam na parte superior de uma mesa. Ela é um pequeno redemoinho e o olho da tempestade.

Diz-se que ela se senta acima da Ceiba para ajudar e proteger os espíritos que passam através de suas nuvens para residir no reino de Olófin (Deus). Diz-se que quando um iniciado de Oyá está realizando seu nascimento, consagração (feitura), os espíritos que se recolhem são atendidos por Ayaó. Quando Oyá se prepara para a batalha ela chama sua irmã Ayaó que libera os espíritos para ajudá-la na batalha. Não se raspa Ayaó na cabeça de ninguém. É bruxa e tem pacto com as Iyamís (feiticeiras). Por isso diz-se que Ayaó é coletora de energias negativas como a bruxaria e espíritos malignos. Também Ayaó cuida das mulheres donzelas e das meninas. Ayaó é pura, por isso ela é quem sobe à mesa à Oduduwá.

Diz-se que Ayaó é a que leva as mensagem a Ikú (morte) e a Oyá. Encarrega-se Ayaó das notas de Yansã, na porta do cemitério. Ayaó também se encarrega dos 9 Eguns que acompanham Oyá e tem relação com os 9 lugares das cerimônias prévias a uma consagração de Oyá (feitura). Por esta razão algumas pessoas põem 9 copos de água a Oyá como uma dedicação a ela.

Alguns chamam estes de “Os Ajeres de Oyá”. No campo suas cores são Matipó e Amarelo com contas de Oyá intercaladas e seu tecido é de retalho floreado com essas cores. Em outros lugares suas cores são o rosa com nácar e azeviche. Ayaó nasce no signo Osá Iroso (Osá Roso), embora também fale nos odús: Osá Ogunda (Osá Kuleyá), Osá Bara (Osá Shepe), Osá Ogbe (Osálo Fobeyó) e Osá Meji e se lhe imolam os mesmos animais que para Oyá.

Os que a necessitam chamá-la que não o façam, pois é um Orishá muito sério. Oyá é o oxigênio que inalamos e o oxigênio que exalamos, Ayaó é o Orishá que tem que a ver com a bruxaria. Os que tenham que fazer algum Ebó com ela, deve ir ao cemitério e deixar as oferendas em cima de uma tumba, nunca no chão, ainda que a Oyá se possa deixar na porta do cemitério e no chão, mas para Ayaó nunca, pois ela não baixa ao chão. Aquele que tem que trabalhar com este Orixá é importante que sempre o façam “limpos”, perfumados e que o ambiente tenha bons perfumes ou fragrâncias de incenso. Os que a recebem dizem que ela guarda mistérios e que quando está no ambiente, muda, pois é um Orisá muito sério em relação a fazer seus encargos.

Resumo sobre Oyá/Yansã

Djembe Obatala filha e esposa de Ogun, Xangô e beijou pela primeira vez a Obaluaiyê, também irmã de Ayao que é virgem e não assentado. Dia da semana pelo Candomblé é a Quarta-feira, na Umbanda tem é tida pelo sincretismo Santa Bárbara.




Xirê de Oyá Yansã com letra e tradução


A CASA DE AJALA: Lenda de Ori (cabeça)

Posted by Alberto Ebomi at 09:54 0 Comments
Conta a lenda (pataki, iton) a  grande importância de Ori (cabeça), Ifá, Orunmilá, Eleguá(Exú), e as determinações do Oraculo e a relevância de obdecer as determinações dadas por um sarcerdote (Babalawo, Babalorixá, Yalorixá).

Na terra de IBITI NI ELE, vivia ORISHEKU o filho de OGUN, ORILOMERE o filho de ORUN e AFAWAKUE o filho de ORUNMILÁ.

Os três eram grandes amigos e decidiram ir à casa de OLODUMARÉ para escolher suas cabeças. Juntos baixaram à Terra e foram ver ODUDUWÁ que era o sábio mais velho da terra EBITI.

Ele lhes disse: para conseguir suas cabeças vocês têm de ir à casa de AJALA, pois é ele quem constrói as cabeças com o AXÉ que lhe deu OLODUMARÉ. Agora, vocês para baixar à Terra têm que guardar uma proibição quando estiverem no caminho da casa de AJALAODE. No momento seguinte lhes perguntou, se vocês ouvirem a voz de seus pais que os chamam, o que farão?

Seguiremos reto para a casa de AJALA a fim de conseguir nossas cabeças e então depois veremos o que queriam nossos pais. Ajoelharam-se e juraram diante ODUDUWÁ que assim o fariam.

aJALA ODE - ALAALA - ori - orixa - obatala - elegua - boori - umbanda - ifa - orunmila

A CAMINHO DA CASA DE AJALÁ


Prepararam-se para sair para a casa de AJALA, o oleiro que construía as cabeças no mundo, e saíram ao caminho.

Chegaram até a terra de AFABERE UNYARE NIBITEBO UNYAN KUELU OBINI e quando entraram cantaram:

EGUN AWÁ INLÉ O BABA EJÓ QUINTOLÉ ONÁ FUN ODÉ AJALA INLÉ.

Então o chefe daquelas terras que macerava inhame, lhe mostrou o caminho para chegar à casa de AJAALA. Ele lhes pediu ajuda para pilar o inhame e AFAWAKUE, o filho de ORUNMILÁ, ficou três dias pilando inhame. Ao final, partiram. Os acompanhou um trecho AFABERE, GUYAN AWÁ, que era o chefe daquelas terras dos EGUNS. Ao final de um tempo, viraram à direita e se encontraram com um porteiro e lhe perguntaram pelas cabeças de AJALA.

Este lhes mostrou o caminho (mas não o verdadeiro). Eles caminharam por um bom trecho e chegaram a um lugar que estava cheio de armas. ORISHEKU o filho de OGUN, reconheceu que estava numa terra de seu pai, como estes se moviam com seus arcos, flechas, espadas e cantava:

OGUN TOMÚ OFÁ TOMÚ, ORUN NI BARA, NI AUN KUALÉ, OGUN MOBÁ SHISHE EGUN.


Ogum - Ogun - Orisha - orixa - ferro - onire - xoroque - meji - aja


Então ORISHEKU disse para AFAWAKUÉ que ele deveria ficar ali ajudando seu pai OGUN a preparar a guerra, mas eles lhe disseram que não deveriam desviar-se, segundo ODUDUWÁ, de seu caminho. ORISHEKU disse a eles: é verdade e fez oferendas a seu pai OGUN e continuaram o seu caminho. Chegaram à casa de ORUNMILÁ e ouviram que este golpeava o AJEPON com seu IROFÁ, pois estava fazendo EBÓ. Então AFAWAKUE lhes disse: Necessito ver meu pai. Os outros lhe responderam, nós não vamos ficar, seguimos viagem.

Quando ORUNMILÁ viu seu filho lhe disse: O que está fazendo? E este lhe respondeu: vamos para à terra EBITI a ver primeiro a AJALA para encontrar nossas cabeças. Então ORUNMILÁ pegou o seu OPELÉ IFÁ e disse a seu filho: Se cabeças buscas, aproxime-se. E com suas ferramentas, OPELÉ IFÁ e IGBOS lhe tocou a cabeça dizendo: “AFIKAN AGO LERI OMOFÁ LORA ERI ODÉ”.

Então lhe fez um OSODE (consulta), onde IFÁ dizia a ORUNMILÁ que um de seus filhos ia pelo caminho de algum lugar em busca de uma boa cabeça, mas teria que fazer sacrifícios com tudo que era alimento de AJALA: EPÓ, OBI, EFUN, IYÓ, ADIÉ, ETÚ, EYÁ, AKUKÓ e OPOLOPO OWÓ.
ORUNMILÁ fez os sacrifícios para seu OMO (filho) e lhe deu tudo o que levava nesses sacrifícios para que ele levasse consigo. Com isso ele se pôs no caminho da terra de AJALA. Entretanto, os filhos de ORUN e OGUN voltaram onde estava o primeiro porteiro e lhe perguntaram pela casa de AJALA e este lhes disse que era muito longe. Eles responderam que não importava e seguiram seu caminho.

Quando chegaram à casa de AJALA, este não estava e decidiram esperar por ele. Quando viram que passavam os dias e este não voltava, saíram a perguntar para o povo sobre AJALA, pois o necessitavam para que lhe desse suas cabeças. Então no povo disseram que esta era a missão de AJALA, e que muitas cabeças estavam dispostas.

Então decidiram esperar por AJALAODE, mas por seus próprios meios encontrariam suas cabeças e entraram no templo de AJALA. Quando entrou ORISHEKU, este escolheu uma cabeça de recente construção, a qual AJALA não havia endurecido.

ORILOMERE entrou também e escolheu uma cabeça, sem saber que esta estava quebrada. Os dois colocaram suas brilhantes cabeças e felizes empreenderam o regresso para suas terras.

ORI (CABEÇA) É CASTIGADO POR MUITA CHUVA


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Quando chegaram começou a chover muito fortemente e a chuva começou a golpear violentamente as cabeças de ORILOMERE e ORISHEKU, fazendo com que as cabeças deles amolecessem e rachassem, se deformando por todos os lados e ficassem amassadas e pequenas. Eles em virtude disso, começaram a passar dificuldades e decidiram ir ver a ORUNMILÁ, onde este lhes fez uma consulta com IFÁ e lhes disse:

Vocês se precipitaram e escolheram as más cabeças, as que não estavam terminadas, além do que não obedeceram a ODUDUWÁ, que lhes indicou o que tinham de fazer. Além do que não sabiam que OGBE YONO é o IFÁ de AJALA e não podem sair embaixo de chuva, por isso ele não regressou à sua casa, até que parasse de chover e vocês não o esperaram, tomando a iniciativa e pegando as más cabeças e por isso se desbarataram com a chuva. Agora terão de usar o resto delas para construir uma nova e boa, para assim prosperar.

Então tiveram que fazer OBORI ELEDA para poder restaurar suas cabeças. Entretanto, AFAWAKUE, o filho de ORUNMILÁ, se pôs no caminho da casa de AJALA e se encontrou com ELEGUÁ, que era o porteiro e lhe perguntou pelo caminho e ELEGUÁ (BARA EXÚ) lhe disse que teria que esperar que ele cozinhasse primeiro sua sopa KALALU. AFAWAKUE esperou pacientemente e o ajudou a acender o fogo e notou que ELEGUÁ colocava cinzas dentro de KALALU.

Então AFAWAKUE lhe perguntou por que ele fazia isso e este lhe respondeu: para que se possa comer e tenha gosto. AFAWAKUE tomou todas as coisas que tinha lhe dado ORUNMILÁ de seu sacrifício e colocou na KALALU de ELEGUÁ e a cabeça de OWUNKÓ que estava comendo e quando ELEGUÁ provou disse: Que coisa mais saborosa é esta. Dá-me mais, e AFAWAKUE disse:
Eu sempre te darei quando comer, agora leva-me a casa de AJALA. ELEGUÁ se pôs no caminho muito feliz e cantando:

AWÓ ASHÉ BEBÉ ABERÉ LUBE AWÓ ODARA AJALA MALONA.

Quando chegaram à casa de AJALA sentiram um ruído muito grande e ELEGUÁ disse: É a casa de AJALA, então, se queres, podes servir a AJALA e ele lhe pagará quando você for embora.

O credor de AJALA desceu do teto e saudou a AFAWAKUE e este saudou a AJALA, onde ELEGUÁ disse que ele era filho de ORUNMILÁ e havia pago suas dívidas. Então AJALA disse:

Como posso pagar-te? AFAWAKUE respondeu: Eu vim de muito longe em busca da cabeça mais perfeita. AJALA lhe disse: Está bem, entre todas buscarei a mais perfeita, mas tenho que comer.

ELEGUÁ lhe deu LERI de AKUKÓ e KALALU e ao provar disse: que tem isso que está tão saboroso? Este é o segredo do filho de ORUNMILÁ e então AFAWAKUE deu a AJALA e enquanto comia cantava:

consulta - ifa - opele ifa - orixa - orunmila - buzios

EPÓ MALERO EPÓ MALERO AJALA EPÓ MALERO
IYÓ MALERO, IYÓ MALERO, AJALA IYÓ MALERO

E AJALA se sentiu fortalecido e disse a AFAWAKUE, vamos a meu templo. Ali tinham 101 cabeças. AJALA pegou um pedaço de ferro e uma LERI e a rompeu em pedaços. Assim fez com várias, até que uma não se rompeu e viu que estava muito dura e perfeita. Então pegou e a fez beber ASHÉ MODUN ERI e a deu para o filho de ORUNMILÁ.

AFAWAKUE a fixou em cima dele e este saiu para sua terra. Aquela terra era de tocas e sempre chovia e ele saiu da toca cantando embaixo de chuva:

“ERI NIKAN BIMBOBA MUINE LAYÓ UMBO ODARA OBE YONO AWÓ ODÉ
AJALA”.

Sua cabeça, apesar da água, se manteve intacta e começou a adivinhar e a ter muitos ganhos. Quando chegou a sua terra, já estava afortunado. Teve uma boa casa e muitas OBINIS (mulheres) e OMOS (filhos) e lhe deram o nome de OGBE YONO ERI SAMI AWÓ OGBE YONO (o da cabeça batizada).

ORISHEKU E ORILOMERE, ao vê-lo disseram: Como é possível, se ele trouxe a cabeça da casa de AJALA como nós, a dele seja boa e a nossa má? AFAWAKUE lhes respondeu: que por sua obediência a IFÁ, que ainda que nossas cabeças tenham saído do mesmo lugar, nossos destinos são distintos.

E assim pode OGBE YONO ser grande.
fonte: Ifá Ni L’Órun

O que é QUIZILA: Ewó “Não pode”

Posted by Alberto Ebomi at 11:04 0 Comments
O que é a quizila (ewó), é uma forma de reação negativa que atinge as pessoas, quer seja fisicamente, causando algum mal estar, ou, na vida pessoal gerando algum "atrapalho" ou perda; e, acontece quando comemos ou fazemos algo que não devemos; todos os orixás tem suas quizilas, e como filhos devemos respeitá-las, por exemplo: não devemos comer determinadas comidas, que são oferecidas aos orixás, e é muito comum escutar dentro de uma casa de santo (candomblé) que aquilo é Ewó (não pode, ou restrições), pelo fato que, quando oferecemos à eles esta comida, eles "transformam" as energias daquela comida, em energia positiva para nós, das quais estamos precisando constantemente, portanto é comida do orixá, não nossa.

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A Quizila


A quizila, em alguns casos, é como se fosse uma "alergia" natural, que comemos alguma coisa, e imediatamente temos uma reação alérgica, porém a mais perigosa é aquela que não sentimos de imediato alguma reação, o que erradamente leva alguns filhos de santo, usarem, um sistema, Ah! Eu comi, não fez mal, não terá problema, aí é que se enganam, pois a reação virá quando menos esperam, atingindo de alguma outra forma.

Os iniciados (elegun – feitos de santo) sabem o que devem respeitar, se não o fazem é por serem descompreendidos, evidente que há casos de desconhecimento, por uma má iniciação, e muito mais valor terá, se gostarmos daquilo que não podemos, pois é muito fácil se evitar, o que não gostamos. As proibições mais comuns, são com relação a determinadas comidas, temperos, folhas, bebidas, cores.

Vale observar que algumas quisila são apenas para os recén iniciados (Yawos), que no caso deixando o mesmo de ser e atingindo uma hierarquia superior (Egbomi – aquele que possui 7 anos pago, ou tomou obrigação) deixará de ter algumas quizilas, entretanto, não será nada absoluto, devendo o filho de santo se reportar ao Babalorixá, Yalorixá para se certificar se realmente não existe mais Ewó (não pode) sobre aquilo que antes lhe afetava.

Aprenda mais sobre os Orixás:


 

 

 

Hunjegbe - Quem pode usar no Candomblé?

Posted by Alberto Ebomi at 22:39 1 Commentario
O Hunjegbe  e quem pode usar no Candomblé,  existe uma grande discussão sobre esse assunto polêmico, então iremos começar falar o que é, e para que ser e tamanha importância dele no culto ao Orixá. Hunjegbe é a pronúncia certa que quer dizer “ hun” ( diminutivo de vodum) “ je (jóia) "gbe” ( vida), portanto é o yan consagrado a Dangbé por que quando Sogbô perdeu o hunjegbe foi bessem quem desceu ás águas e retornou com ele na boca.

humgebê- candomblé - umbanda - jeje - mahin - orixas -

Essa conta é a conta da vida e da morte, significa o nosso cordão umbilical, é o único yan que depois de morto o vodunsi (feito de orixá) leva dentro do caixão, depois é claro de vários rituais fúnebres feito no ará ( corpo) do mesmo, em rituais do Orixá.

A contagem de missangas, corais e seguis tem sua numeração única, e até aposição dos seguis tem seu lugar de origem, somente o povo de Djedje é que tem o direito e dever da conquista desse yan sagrado.

Hoje em dia virou moda pessoas de outras nações enfiarem uma conta com corais e seguis de modo errado que a do hunjegbe e declarar que estão usando um yan , que eles não sabem a grandeza ritualística e fundamentada para se ter esse yan, no caso na Umbanda é literalmente impossível de se encontrar uma guia sagrada como esta.

No bogum ela é confeccionada já na iniciação do vodunsi , mas só vai para o pescoço após os 7 anos e com obrigação tomada (Oyê ou Deká), o hunjegbe é a jóia de mahi e como toda conta de grau, deve ser colocada em época certa , pois ninguém nasce grande, uma construção não começa pelo teto e sim pelo alicerce, devemos esperar a hora certa para se conquistar nossos direitos dentro de cada nação.

Esta jóias não é simplesmente uma conta posta no pescoço, esse yan é conquistado através de fundamentação ritualística, e nunca deve ser dobrado.

A Jóia de Mahi é para o povo de Djedje, se você é iniciado no Ketú ou Angola e dá seguimento na sua nação de origem, não irá receber uma jóia que não pertence a sua nação. Se você receber ou não seu hunjegbe, deverá ser conquistado, essa conta não é um simples fio de missangas com corais e seguis, esse yan é rezado na hora de confeccionar dentro do hundeme, e nunca deverá ser dobrado no pescoço, pela fundamentação ritualística que representa.

Como todo fio de conta, o cumprimento do hunjevi é determinado por questões que envolvem o vodun da pessoa e até fatores físicos do vodunsi que o receberá.

O hunjevi é composto de miçangas nas cores terra-cota, segui (corais azuis) e corais propriamente ditos.

Os corais são os atin sá (árvores) das águas, que conhecem as profundezas escuras da origem de toda a vida que existe neste mundo. O coral representa os elementos dos três reinos existentes na natureza: o reino animal, vegetal e mineral. Por isso, simboliza o princípio e o fim. A ligação entre a vida e a morte.

O povo do Danxomé (Barriga de Dan), costuma dizer que os segui do hunjevi são as fezes do grande Vodun Dan Gbala Howedo. As fezes de Dan.
Existem algumas variações deste fio sagrado, mas o significado é sempre o mesmo. Em uma de suas variações, chama-se hunjebe – que às vezes é feito de miçangas pretas rajadas de branco, representa a mesma coisa do hunjeve, mas só deve ser usado por pessoas de Azançu. Outra variação é o Hunjê – um fio de contas específicas.

Como todo fio de conta, o cumprimento do hunjevi é determinado por questões que envolvem o vodun da pessoa e até fatores físicos do vodunsi que o receberá.

O hunjeve é composto de miçangas nas cores terra-cota, segui (corais azuis) e corais propriamente ditos.

Os corais são os atin sá (árvores) das águas, que conhecem as profundezas escuras da origem de toda a vida que existe neste mundo. O coral representa os elementos dos três reinos existentes na natureza: o reino animal, vegetal e mineral. Por isso, simboliza o princípio e o fim. A ligação entre a vida e a morte.

O povo do Danhomé (Barriga de Dan), costuma dizer que os segui do hunjevi são as fezes do grande Vodun Dan Gbala Howedo. As fezes de Dan.

Existem algumas variações deste fio sagrado, mas o significado é sempre o mesmo. Em uma de suas variações, chama-se hunjebe – que às vezes é feito de miçangas pretas rajadas de branco, representa a mesma coisa do hunjeve, mas só deve ser usado por pessoas de Azançu. Outra variação é o Hunjê – um fio de contas específicas.

 

 “Agora você sabe quem pode usar o Hunjegbe”

 

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