Orunkó "o nome do Orixá"

Posted by Alberto Ebomi at 13:38 4 Comentarios
O assunto a seguir é polêmico, e trouxe um texto falando sobre o Orunkó "o nome do Orixá". Uma das características mais marcantes do Candomblé, é ser uma religião INICIÁTICA, fazendo com que seus adeptos em determinado momento de suas vidas, possam vir a se integrar de fato ao culto dos Deuses negros mediante a iniciação, esta não tendo envolvimento com a Umbanda no assunto abordado a seguir.

A iniciação é composta por diversos rituais, como por exemplo, labé (raspagem do couro cabeludo) gberés (incisões rituais feitas superficialmente na pele), efun (pinturas tribais feitas pelo corpo com o efun, espécie de giz de origem mineral), além dos rituais de sacrifício expiatório, ebós, bori, panán, etc. Esses rituais, mesmo com a nomenclatura variada devido à língua utilizada, são praticamente unânimes em todas as nações, seja Ketu, Fon, Angola.



ORUNKÓ – O DIVINO NOME  ou Nome do Orixá


Um dos rituais pertencente à iniciação que envolve diretamente a cerimônia pública do Candomblé (conhecida como saídas de santo ou saída de yaô) é o anúncio do Orunkó do iniciado.
Todo neófito no culto aos Orixás recebe um nome pelo qual será reconhecido pelos deuses, pelo divino, e por todos os outros membros do seu egbé (comunidade religiosa). O Orunkó do iniciado é sempre anunciado em público no dia do Candomblé por uma divindade. Se estivermos falando de pessoas não rodantes, ou seja, que não passam por transe possessório da divindade, como Oloyés e Ajoyés, o Orixá manifestado em outro iniciado vem em público de braços dados com o filho para anunciar seu nome.

Se a pessoa for rodanteyaô propriamente dito – ela vem em público no momento oportuno dentro da cerimônia tomada em transe por seu Orixá, que de braços dados com o padrinho/madrinha de Orunkó, responde em tom alto, quando pedido,  para que todos ouçam o nome deu seu filho.

Normalmente, o padrinho/madrinha de Orunkó é escolhido pelo Babalorisá dentre os integrantes do egbé, ou em alguns casos, pessoas com grau avançado dentro da religião, zeladores de Orixá que estão ali para participar da cerimônia religiosa. É considerada uma grande honra e prestígio ser oferecido pelo Babalorisá a oportunidade de “tirar o Orunkó” de um de seus iniciados.

O Orunkó é sempre um tema muito polêmico entre os adeptos da religião. Ao seu redor encontra-se um grande mistério, pois muitos acreditam em sua profunda ligação com o plano superior, outros, apenas o consideram como “protocolo”dentro da iniciação. Há também os que acreditam que o Orunkó é, na verdade, o nome do Orixá  – passo a explicar adiante – sendo que o nome do filho seria o OMORUNKÓ.

Em algumas linhagens de axé, o Orunkó deve ser apurado pelo sacerdote, reunindo informações diversas de acontecimentos durante o período de recolhimento, como sonhos do filho, dos irmãos de esteira, intuições, tudo isso acompanhado do conhecimento do zelador da língua Yorubá (para o caso dos filhos da nação de Ketu) e supervisionado pelo jogo de búzios.

Em outras, o Orunkó deve ser trazido pela própria divindade quando manifestada em seu filho. Acredita-se que o Orixá se utilizará da capacidade de pronuncia do filho e gritará o nome do iniciado, sem que este tenha sido apurado em jogo antes. Apenas para constar, pessoalmente eu acredito que a melhor maneira do Orixá conversar com o sacerdote é através do Oráculo, e não manifestado no filho, pois assim elimina qualquer possibilidade de influencia racional daquele que está supostamente em transe.

Normalmente o nome do iniciado contém conjunções, abreviações, corruptelas e combinações de palavras na linguagem pertencente à nação do iniciado, que fazem menção à personalidade, história ou característica do filho em conjunto com a divindade que o rege.

Certamente o nome que é gritado no salão de candomblé no dia da saída, é o nome DO INICIADO, e não do Orixá. Ora, cada Orixá já possui o seu nome: Xangô, se chama Xangô. Oxum, não se chama por exemplo, omirere (àgua boa), e sim, Oxum, simplesmente. Não haveria sentindo acreditar que o Orunkó pertence ao Orixá, assim como não ha sentindo acreditar que quem nasce durante a feitura é o Orixá. Pensar dessa forma, é certamente subestimar a divindade, ou mesmo ter a pretensão de imaginar quem um ser humano pode subdividir e manipular livremente a energia do Deus, fazendo-o “nascer” – e fazendo o morrer quando despachado aqueles objetos – à qualquer momento.

Na iniciação, quem nasce é o FILHO, e não o PAI (divindade). Quem possui Orunkó – ou dijina para os bantus – é o filho, e não o Deus.

“Orunkó é o nome do Orixá?”


O que é certo é que, o Orunkó é algo extremamente intimo e pessoal, que diz respeito somente ao filho e ao Orixá, e claro, ao sacerdote que intermediou essa relação. Por ser íntimo, é sim talvez uma falta de educação perguntar à algum iniciado o seu Orunkó. Se é da vontade dele que você saiba, ele lhe falará quando achar necessário. Contudo, não é algo proibido muito menos perigoso ter seu Orunkó revelado, mesmo porque, não se pode recriminar alguém por lhe chamar de outro nome que não o seu, se você ainda não se apresentou, correto? Não há empecilho algum você ser conhecido dentro de seu egbé por seu Orunkó, e o mesmo ser pronunciado por seus irmãos. Partimos do princípio que todos ali são providos e mantidos pela mesma energia, a energia do Orixá, e não devemos esperar nem pressupor a maldade alheia, ainda mais, de um irmão.

Aqueles que praticam a maldade irão fazer isso com o seu Orunkó, ou mesmo com seu nome de batismo cristão, ou seu nome civil. Temos que acreditar que lidamos com uma energia inteligente chamada Orixá, e crermos que o Deus não irá abandonar ou deixar de proteger seu filho contra a maldade alheia, apenas por o mau-feitor estar de conhecimento do nome de iniciado de seu filho. Aquele que quiser prejudicar alguém, não se dará por impedido apenas por não saber que o Yao João Paulo se chama Obabunmi, ou que a egbomi Martha Dias se chama Omialawure.

Grandes sacerdotes hoje são conhecidos apenas por seus Orunkós, e normalmente suas casas levam os seus nomes de iniciado, sendo que muitos poucos os conhecem por seu nome civil. Cá entre nós, esses sacerdotes estão vivos e gozando de plena saúde, mesmo com seu famoso Orunkó sendo conhecido por todos.

Cito aqui alguns Orunkós de pessoas de grande reconhecimento dentro da religião:


Íyàmagbó-Olódùmarè – Iya Nassô – Terreiro da Barroquinha (casa matriz)

Oba biyi – Mãe Aninha – Ilê Axé Opo Afonjá
Odé Kayodé – Mãe Stela – Ilê Axé Opo Afonjá

Fonte: Desconhecido


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4 comentários:

  1. Ao senhor alberto Ebomi por favor me ajude n sei mais oque fazer sou iniciada a pouco mais de seis meses no axé sinto que meu orixá está presente porem ouço e vejo td a minha volta isso me deixa muito confusa por olorum me ajuda estou muito angustiada com relação a isso fico no aguardo anssiosa pela sua resposta desde já te agradeço ate mais

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    1. Olá irmã, olha me adicione no facebook. Juntos no Candomblé, procure lá, assim posso te explicar melhor. Sorte axé!

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  2. Olá egbomi Alberto, motumba?!
    Há 6 anos frequentando um ilê (onde permaneci abian por esses anos todos) tive que me afastar da casa por motivos maiores,( nada com zelador etc) não demorou muito me encontro em outra casa, e a mesma me cobra feitura, seria normal depois de tanto tempo " agora" eu ter que passar por esses rituais , sendo que na outra casa nunca me foi pedido e até então segundo o outro zelador ( da casa onde fiquei 6 anos) dizia que eu não teria cobrança de santo, como eu posso saber se realmente é o orixa mesmo que "passou" a cobrar isso , desculpa a maneira de estar falando é que nos dias de hj,agente tem que desconfiar, não que a nova casa nao me passe segurança, mais pra mim é difícil acreditar que na vrdd o "antigo" zelador que "fechou" os olhos para a minha real situação
    Desde já grata

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    1. irmã, o que eu acho estranho é 6 anos em uma casa de santo, não haver nenhum tipo de cobrança do tipo, mas é claro que você tem que desconfiar, pois está falando de sua vida espiritual, por que não me adiciona no facebook?! juntosnocandomble - me procure lá. sorte axé!

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