Como é a Iniciação de Orixá na Africa “Parte 1”

Posted by Alberto Ebomi at 12:20 2 Comentarios
O conteúdo a seguir relata como é diferente o culto do orixá entre os Candomblés Brasil e a iniciação de Orixá na Africa, relatando como uma pessoa é indicada para ser iniciada dentro do santo, os métodos podem ser até parecidos, mas vocês irão reparar que a diferença começa desde a nascimento daquele que será apontado para dar início a religião de nossos ancestrais, e foi dividido para melhor entendimento em 3 partes a fonte desse texto é do grande Pierre Fumbi Verger.

Na região ioruba, a iniciação de um Elegun (aquele que pode ser “montado” , possuído, pelo orixá) não apresenta problemas. Geralmente ele foi indicado para desempenhar esse papel por ocasião do seu nascimento, pela adivinhação, quando seus pais consultaram um babalaô para conhecer o destino do recém nascido. O futuro Elegun, muito cedo, geralmente aos sete anos de idade, é confiado a um sacerdote do orixá. Em se tratar de Xangô, irá para a casa de um Mógbá Xango, de um Elegun Xangô ou, ainda, de uma Ìyá xàngó para viver na atmosfera do culto do deus.
O que é Bolar com Orixá

Em certas regiões nagô , como Saketê ou Ifanhim, ou mesmo em terras estranhas aos iorubas, como Uidá entre os hweda, há egbé Xangô poderosos, sociedades que reúnem todos os adeptos do deus, onde os futuros Elegun fazem sua iniciação em grupos mais ou menos numerosos.

iniciação de orixa na Africa - Elegun

Tivemos oportunidade de acompanhar as diversas fases dessas cerimônias para grupos de dezoito Elegun em Ifanhim, onde o egbé não conhece fronteiras (anglo-francesa outrora, nigeriano beninesa atualmente); seis em Uidá e dois em Saketê; assim como na Bahia, onde é idêntico o ritual seguido.
De um lado e outro do oceano Atlântico, as cerimônias de consagração dos novos Elegun Xangô duram dezessete dias. Na África, elas começam e terminam num dia dedicado a este orixá, da semana ioruba de quatro dias. Elas têm início, por razões que ignoramos, no momento o mais próximo possível do primeiro quarto da lua, para terminarem na época do último quarto.

Algumas vezes, pode haver variações nos detalhes do ritual, mas a sequência geral das diversas partes de uma iniciação é a mesma.

Em Saketê, por exemplo, era preciso substituir um Elegun Xangô já falecido e, antes de iniciar a cerimônia, foi necessário consulta a alma do morto para obter seu consentimento e sua concordância com a escolha de um novo eleito.

Essa consulta foi feita por um pequeno grupo, de aproximadamente vinte pessoas da família, à meia noite mais ou menos, ao ondo de uma estrada deserta, um pouco fora da cidade. As mulheres pararam em uma ponte sobre um pequeno rio. Os homens continuaram seu caminho até cerca de cem metros mais a diante. Um deles, um tal Olelé, derramou no chão água e azeite de dendê, colocou por cima nozes de cola e galos vivos, amarrados pelos pés. Oládélé gritou um nome, alongando cada sílaba ao máximo, e suplicou:

“Wá gbà awn erù re,
Ki fi omo wa silè fún wa
Ki òsà á gbé wa“

(“Vem buscar tuas oferendas
Deixa-nos teu filho na terra
Para que o orixá nos proteja” ).

De longe, ouviram-se gritos prolongados: “O o o o o o o o o” . Era Baba Egúngún que respondia. Todos os presentes, ajoelhados, pediram-lhe para vir ao encontro deles. Perceberam uma sombra aproximado-se na escuridão. Olelé avançou em sua direção e deu-lhe as nozes de cola e os galos. O espírito gritou três vezes: Mo gbà a ( “ Eu aceito” ), e acrescentou: E jê mba ndélé [“ Venham comigo para casa (no além)” ]. Os presentes recusaram: E béò! A pò lébìn, mde o wà láàrin wa (“ Não! Há muita gente depois de nós, há crianças entre nós” ). Baba Egúngún insistiu. Oládélé pegou então uma panela de barro e jogou-a violentamente no chão, onde ela se desfez em pedaços. Todos fugiram para a cidade, perseguidos por um curto espaço de tempo e sem muita firmeza por Baba Egúngún.

No dia seguinte, começavam a iniciação dois novos Elegun. Um deles ia substituir o sacerdote morto, cuja alma acabava de ser consultada. O Xangô da família encontraria, assim, outro de seus descendentes em quem se encarnar durante as cerimônias organizadas em seu louvor.

Entrada do iniciado no  igbó ikú


Os futuros elégùn vão para o local de sua iniciação alguns dias antes do início das cerimônias. Sua consagração ao orixá pode se realizar em um templo já existente, na cidade ou em uma roça das redondezas, ou então em um novo local que deverá ser sacralizado. Em todos esses casos, deverá  ser
reservado um lugar privado, onde deverá viver os noviços, próximo ao local onde se realizarão as cerimônias públicas. Esse lugar, às vezes chamado “ convento“ por alguns autores, tem o nome de igbó ikú, “ a floresta da morte” . Pode ser um simples quarto de uma casa ou um grande recinto cercado, permanente ou transitório, atrás do pátio da roça, onde os iniciados vão viver durante os dezessete dias de sua reclusão, protegidos das intempéries por um simples tapume de palha trançada.

A permanência na igbó ikú simboliza a passagem para o além, entre a antiga existência profana e a nova, consagrada ao deus. Desde sua entrada nesse lugar, os noviços são obrigados a fazer abluções e tomar beberagens vegetais, feitas com a infusão de certas folhas, cascas e raízes dedicadas ao orixá,
iguais às que serviram à preparação do odù do orixá, descrito pó Epega, reforçando assim a ligação entre este e seu futuro elégùn.

Essas beberagens e abluções, que contêm o à, a força do deus, parecem exercer uma ação sobre o cérebro dos iniciados e contribuir para deixa-los num estado de entorpecimento e de sugestionabilidade que fará deles criaturas dóceis e aptas à consagração.

Àìsùn: A noite do inicio dos fundamentos


Na noite que precede o começo das cerimônias de realização realiza-se o àìsùn (“ não dormir” ), a vigília noturna, durante a qual os participantes da festa chegam em pequenos grupos, cumprimentam-se uns aos outros, falam das últimas novidades, sentam-se aqui e ali, descansam e bebem alegremente
vinho de palma, meu, ou de álcool abatido por destilação, tí.

No decorrer das iniciações observadas para Xangô, encontravam-se presentes os Mógbá Xangô, aqueles responsáveis pelo bom andamento do culto e guardiões do axé. Caracterizam-se por não entrarem em transe como os elégùn. A Ìyá àngó do lugar ou Ìyá Egbe, a “mãe da comunidade” , encontra-se também presente. É ela quem transmite o axé aos novos elégùn.

Uma das iniciações observadas foi realizada num local ainda não consagrado. Foi preciso prepara-lo, pois, no dia seguinte, seria realizado o batismo de sangue dos noviços. Cavaram um buraco no chão e vários elementos foram ali despejados: a infusão das plantas, de que já falamos, o sangue e as cabeças de um galo e de um pombo sacrificados sobre o buraco; foram acrescentados elementos calmantes: limo da costa, Ori; azeite-de-dendê, epo pupa; o líquido que escorre da casca esmagada de um caracol, Ibin (caramujo); e, ainda, quatro espécies de pós-pretos obtidos pela calcinação de vários elementos; e, por fim, nozes de cola de duas espécies chamadas Obi e  Orobó.

O buraco foi tapado, devidamente marcado com alguns búzios e coberto com um esteira. Neste lugar exatamente, será colocado, no dia seguinte, um pilão, odó, emborcado, que servirá de assento aos noviços para seu batismo de sangue (BORI).

Acompanhe o site para seguir com o resto da iniciação de orixá (elegun) na Africa e veja as diferenças entre as Nações do Candomblé e o culto Africano.


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2 comentários:

  1. Todos podem serem iniciados,ou seja,podem receber o orixá?
    Todos podem ser Elegun ou Iyawò?

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    Respostas
    1. alisson, quem decide sobre uma iniciação é o Orixá, dentro deste caminho existem vários cargos religiosos, que no caso do Candomblé é um pouco limitado (Iyawo (rodante), Ogan (toca tambor e não recebe nada), Ekeji que zela pelos orixás que também não vira, mas todos esses cargos só pode ser decidido pelo Orixá, no caso pelo Oráculo (jogo de buzios, Opele Ifá)

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