Orixá Ayrá / Aira: Xângo ou não?

Postado por: Alberto Ebomi at 19:29 0 Comentários
Orixá Ayrá / Airá era um Orixá no fundamento de Xangô, Airá era considerado um de seus servos de confiança e segundo uma de suas lendas, Airá, tentou instaurar um atrito entre Oxalá e Xangô, graças a isso Airá deve ser tratado de forma diferente de Xangô e seu assentamento deve ficar na casa de Oxalá. Por essa rivalidade com Xangô, não se deve coloca-los juntos jamais na mesma casa nem podendo Airá ser posto em cima do pilão de duas bocas, pois provoca a ira de Xangô. Sua cor é o branco e seus ornamentos são prateados.

 

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Orixá Ayrá/ Airá é normalmente confundido com Xangô (Candomblé), no Brasil, na verdade é uma divindade à parte, que não pertence à família de Xangô. Airá é uma divindade da região de Zave muito embora não existam registros de iniciação para ele nessas terras, seu culto está restrito ao seu templo em Zave, Nigéria. No Brasil, sacerdotes desinformados e sem discernimento criam inúmeras lendas a seu respeito, até dizem que ele seria irmão gêmeo de Xangô, o que é verdadeiramente um absurdo.

Segundo as casas de culto ao orixá, este orixá veste-se de branco e tem profundas ligações com Oxalá. Airá não usa coroa, mas um ejete branco. Suas comidas votivas não são temperadas com dendê, nem com sal e sim com banha de ore africana. Comeria quiabos, assim como Xangô e Iro-o.

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Airá é um Orixá relacionado a família do raio mas pode ser relacionado ao vento, seu nome pode ser traduzido como redemoinho, redemoinho é o fenômeno que mais se assemelha a um furacão em território Africano. Airá então pode ser louvado como a divindade que rege o encontro dos ventos. Em território africano, não existe registro ou relatos de pessoas regidas ou iniciadas para ele, onde ele é cultuado, o culto predominante é o de Nanã e de Ovalai, já que Zave é uma região que fica em território Jejue. Pouco se sabe sobre o nascimento ou surgimento de Airá e por esta razão muitos atribuem sua filiação à Iemanjá e a Orfanai, assim como Xangô e Aganou.

No Brasil, Airá é visto, erroneamente, como uma qualidade de Xangô. Airá seria uma face mais amena e pacífica de Xangô. Hoje, com a falta de conhecimento, muitos zeladores preferem iniciar uma pessoas de Airá do que de Xangô, na realidade está cada vez mais difícil encontrarmos filhos de Xangô, em sua grande maioria, os filhos de Xangô estão sendo iniciados em outros Orixás.

Ao contrário de Xangô, Airá não é um Orixá rei nem possui o carácter, punitivo como Xangô.

Airá zela pela paz e pela justiça de forma incondicional, ao contrário de Oxalá que representa a paz, Airá estabelece a paz e possui uma ação mais imediata em suas funções, Airá pode ser qualificado como um sentinela de Oxalá, ou melhor, de Oxalufã é seria ele quem estabelece sua vontade.
Em relação a Aira, a poucos detalhes na África. Em Ketu, ele é conhecido sob a designação de Abonam ou Aira Igbonan. Dizem que é originário de Sabé (Zave) e que é o irmão mais velho de Xangô.

Diz também que seu tempo principal ficava em Dassa-Zoumé em Vedji perto ao de Sanponná. Diz que que havia duas informações contraditórias - Uma dizia que ele originário da região de Oyo, segundo outros de Abomé, onde era confundido com Sobô.

Orixá Airá ( filho forte o Senhor do Redemoinho)é um Deus relacionado a família do raio mas também é relacionado ao vento, seu nome pode ser traduzido como Redemoinho, vale lembrar que o redemoinho é o fenômeno que mais se assemelha a um furacão em território Africano. Airá então deve ser louvado como a divindade que rege o encontro dos ventos.

Em território africano, não existem registros ou relatos de pessoas iniciadas para Ele. Seu culto é proveniente da região de Zave que faz parte do território Jejê, nesta região os cultos predominantes são os de Nanã, Ovalai, Omolu e Oxumarê. Pouco se sabe sobre o nascimento ou surgimento de Airá e por esta razão muitos atribuem sua filiação à Iemanjá e a Orfanai, assim como Xangô e Aganou. Por este motivo alguns sacerdotes sem conhecimento chegam a afirmar que Airá seria irmão de Xangô, quando não há nada que fundamente esta afirmação.

No Brasil, Airá é visto, erroneamente, como uma qualidade de Xangô. Airá é visto como uma face mais amena e pacífica de Xangô. Hoje, com a falta de conhecimento, muitos zeladores preferem iniciar uma pessoas de Airá do que para Xangô, na realidade está cada vez mais difícil encontrarmos filhos de Xangô. Ao contrário de Xangô, Airá não é o Orixá rei nem possui o carácter punitivo e colérico. Esta característica mais amena de Airá, pode ser evidenciada em uma de suas cantigas que diz:

"A chuva de Airá apenas limpa e faz barulho, como um tambor".

Airá possui uma ligação muito grande com Oxalá, na verdade tudo o que for oferecido a Ele não deve conter sal e dendê. Suas comidas votivas não são temperadas com dendê e sim azeite de oliva ou banha de ore.

Airá zela pela paz e pela justiça de forma incondicional, ao contrário de Oxalá que representa a paz, Airá a estabelece e possui uma ação muito mais direta em sua imposição, Airá pode ser qualificado como uma sentinela de Oxalá, ou melhor, de Oxalá e seria Ele, Airá, quem estabelece sua vontade.

Folhas de Aira/Ayrá :


Agrião do Pará  (awere pẹ́pẹ́) Bilreiro  (ipẹ̀san) Caruru  (ewé tẹ̀tẹ̀) Manjericão Roxo.

Epítetos:

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Intilé - É um título de Airá, Intilé quer dizer Senhor da Terra.
Igbonã - É um título que significa  floresta de fogo, ou simplesmente quente.
Lojô - Título que faz referência à chuva.
Osi - É o eterno companheiro de Oxaguian. Um dia, passando Oxaguian pelas terras onde vivia Ayrá Osi, despertou no jovem grande entusiasmo por seu porte de guerreiro e vencedor de batalhas.

Segundo um mito, criado no Brasil, Oxalá permaneceu injustamente preso durante sete anos no reino de seu filho, Xangô, sem que este soubesse do fato. Grandes calamidades ocorreram em todo o reino devido a essa injustiça e quando Xangô finalmente descobriu o que havia acontecido com o próprio pai, resgatou-o da prisão e ordenou que fossem organizadas grandes festas em todo o reino, em sua homenagem. No entanto, Oxalá estava muito entristecido. Apesar de toda a atenção que recebeu, a única coisa que desejava era retornar ao seu próprio reino, em Ifé, onde sua esposa Iemanjá o aguardava. Xangô não podia acompanhá-lo e pediu que Airá o fizesse em seu lugar, foi assim que Airá tornou-se companheiro de Oxalá. Durante o dia, eles caminhavam. À noite, Oxalá sentia frio e precisava descansar, assim, Airá passava longas horas contando-lhe histórias do povo de Oyó ao redor de uma fogueira.

Observação: No Brasil, devido aos festejos de São João, criou-se uma tradição de se acender uma fogueira em homenagem a Xangô e a Airá. Na realidade esse ato não existe na África isso foi absorvido dos festejos de Juninos. A cerimônia que ocorre na África é o Ajerê de Xangô, cerimônia em que o iniciado de Xangô em Oyó carrega um jarro com inúmeros orifícios, dentro deste jarro é posto fogo e assim iniciado carrega o fardo ardente sobre sua cabeça. O Oxé de Xangô é uma representação do ajerê, as lâminas duplas representam as chamas que se espalham.

Ritual da Fogueira do Orixá Ayrá / Airá



O ritual mais conhecido por toda comunidade dos Candomblé do Brasil. em homenagem a este Orixá e sua fogueira, a qual queima durante toda festividade, e para quando o grande rei se fizer presente ali se forma um tapete vermelho com brasas vivas, diz nos cultos a este Orixá quem ainda não viu Xangô caminhar sobre brasas vivas não conhece a força deste Orixá.

Este bem como o ritual do Ajere, nome dado ao pote que este Orixá carrega na cabeça com azeite de dendê em chamas, está também seguida de um ritual chamado de Akará, quando este Orixá em companhia de Oyá/Yansã, engole pequenas tochas de fogo. 
 

O momento principal é a "Roda de Xangô" - que por falar nisso é a único Orixá que se faz roda dentro do culto ... Mais sem querer ofender ninguém, Já existe roda de todos os Orixás.

Neste ritual são homenageado todos os Orixás de sua corte, ou seja toda a corte de Oyó, para a grande consagração do grande Rei Xangô: Baayani, Iyá Masé, Dada, Ajaka, Ayrá Ntylé.


As ofertas preferidas de Xangô vêm nas cantigas a este Orixá: o Cagado (Ajapá) e o Carneiro (agbo Akutan). O Ecoar do Sere faz com que nós lembramos de uma grande tempestade, e todos são muito gratos, pois ali esta seu rei junto de seus súditos. 
O grito de guerra do grande rei de Oyó vem como um trovão na tempestade de séré e comunica a todos da comunidade que só este rei é poderoso, é quem faz a sua própria coroa, um rei que tem coroa.


para este Orixá o azeite de dendê é como água, e e justamente o "Epo-pupa, que apazigua Xangô, então este elemento nunca pode faltar em todas as oferendas ao rei Xangô. E tudo relativo a este Orixá deve ser oferecido quente, ele não aceita nada frio, (por isso Xangô não fica onde tem pessoas mortas, por estarem totalmente frias, e, erroneamente muitas pessoas dizem que ele tem medo da morte).


Bem como o sangue em seu Igbá deve ser direto ou seja quente, pois trata-se de vida. A única coisa em sua vida que Xangô aceite que tem sangue frio é o "Ajapá", animal este de sangue frio, mais aceita este animal pelo seu poder de longevidade. 
Este Orixá ainda bem peculiar só aceite o Orogbó e nunca Obi, e em todas as oferendas a este orixá deve conter seu fruto predileto "Orogbó". Seu fetiche principal é o machado duplo (Osé) que além de uma de sua armas de guerra, é é o único instrumento que simboliza a verdade a justiça, pois suas duplas laminas cortam para os dois lados, não fazendo distinção.


Em seu Labá Xangô guarda as pedras poderosas de raio, e seus poderosos chocalhos de cobre ou ainda em sua cabaça de cabo bem alongado, e com grande quantidade "Edu-Ara e Seré". Em África costumam dizer os antigos que Xangô se iniciado se Edu-Ara não tem Xangô por perto.E perto do assentamento de Xangô nunca poderá faltar a presença de "Iyá-Mase", Oyá/Yansã, Osún e Obá, seu Igbá é feito dentro de gamela. O numero 12 esta relacionado a Xangô, pois 12 são seus ministros, e também 12 são seus caminhos.


Alguns caminhos de Xangô esta relacionado a Oxalá como: Ayrá Igboná, Ayra e Ayrá Ntyle, pois são eles considerados os mais velhos, relacionamento direto com o poder da criação, ou seja Oxalá, é por este único motivo e principal utilizam-se da cor branca e usa sigi azul que substitui o da cor vermelha em sua contas.


Diz a cultura Yorubá que quem tem este Orixá a seu lado nada teme, pois ele é o rei que tira da boca e coloca na boca dos seus.

Arquétipos dos Filhos de Ayrá - Airá


- Os filhos de Airá, são autoritários, voluntariosos, enérgicos, calmos, teimosos, orgulhosos e guerreiros. Pessoas elegantes e corteses, risonhos, possuem um misto de severidade e benevolência, possuem um senso elevado de justiça, possuem consciência de sua importância, são dotados de bom coração, não sabem guardar segredos, faladores, fofoqueiros, apegados a família, sinceros, altivos e sensíveis. Não são vaidosos. 


Oriki de Ayrá:

Òlò áwá la wulú
Olodó òlò odó
Oyá walé ni ilè Irá
Sangò walé ni Kosó.


Senhor do som do trovão
Senhor do pilão
Oiá desaparece na terra de Irá
Xangô desaparece na terra de Cossô


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