CONCEPÇÃO DE IFÁ DO BEM E DO MAL

Posted by Alberto Ebomi at 05:02 0 Comments

sopera_orula-333x225Orunmilá é um poderoso advogado da objetividade e da verdade, contudo ele é realista o bastante para dizer que a verdade é amarga e as pessoas se esforçam muito em grande quantidade para evitá-la ou burlá-la. Qual é a concepção de Ifá quanto o Bem e do Mal?  A despeito das dificuldades julgamentos e tribulações associados com a defesa da verdade, e a exigência e a baixa popularidade da mentira, ele advoga que na analise final a verdade é muito mais recompensadora que a mentira. Orunmilá ilustra muito claramente os problemas associados com a defesa aos bons objetivos.

Exatamente no início do trabalho do primeiro dos apóstolos de Orunmilá a vir ao mundo, nós veremos sobre Ejiogbe, que no céu era chamado de Omonighorogbo (Odolevbo em Bini) (aquele que representa o liberalismo e a objetividade), que veio ao mundo para aperfeiçoar a qualidade e o padrão da conduta humana. Ele se comprometeu profundamente em demonstrações humanitárias para a espécie humana, sem aguardar ou exigir nenhuma recompensa em retorno por seus serviços

gratuitos. Alguém teria pensado que seu comportamento não seria apreciado, mas também serviria como um brilhante exemplo aos outros. Ao contrário, aqueles que estavam no mundo antes dele estavam deste modo desaprovando suas ações e começaram a enviar incessantes mensagens a Deus no céu, que Omonighorogbo, ao invés de melhorar as condições do mundo, estava na verdade prejudicando o código de conduta que ele encontrou, tanto que ele estava tornando a vida insuportável para os outros.

Estes relatos se tornaram tão comuns e freqüentes, que Deus que nunca condena sem averiguação, enviou um policial celeste ao mundo para convocar Omonighorogbo a retornar para o céu, assim que fizesse uma completa investigação do seu comportamento. O policial, após ter ocultado sua própria identidade, chegou cedinho a casa dele e se ofereceu como seu auxiliar. Desde muito cedo até o anoitecer o policial viu que Omonighorogbo gastou todo seu tempo no serviço aos outros, auxiliando no parto de mulheres grávidas, curando as doenças, fazendo consulta oracular para os aflitos, acertando discussões entre as pessoas, etc, tudo sem gratificação de espécie alguma, ele às vezes não tinha tempo sequer para tomar seu café da manhã.

Após observar sua performance durante o dia, o policial celeste, então revelou sua identidade dizendo que Deus o queria de volta ao céu. Quase que imediatamente Omonighorogbo se preparou para sua jornada de retorno ao céu. Lá chegando, Deus o repreendeu por ter ido para o mundo prejudicar suas virtudes. Antes que ele pudesse se explicar, foi o policial celeste quem falou em sua defesa. Ele explicou que aqueles que vinham se queixar contra ele, eram os que não estavam tranqüilos com a sua benevolência, pois sua postura era uma ameaça para suas próprias exorbitâncias de comportamento. Ele adicionou ainda que a grande maioria das pessoas perderia a sua regra mais preciosa se Omonighorogbo tivesse que ficar permanentemente no céu.

Com aquele testemunho, Deus ordenou-lhe que voltasse ao mundo, para continuar seu bom trabalho, mas que a fim de sobreviver às maquinações maléficas de seus inimigos, ele deverá de hoje em diante cobrar honorários razoáveis por seus serviços aos seres humanos. Assim foi como os sacerdotes de Ifá obtiveram a autorização de Deus para cobrar honorários razoáveis do que quer que façam.

Deve ser lembrado que Ejiogbe foi o primeiro dos apóstolos de Orunmilá a vir ao mundo. Esta experiência de Ejiogbe ilustra claramente que aqueles que trabalham em defesa dos bons objetivos, correm o risco de inveja e agressões abertas de outros apesar de ter se doado com benevolência e magnitude.

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Aqueles que insistem em fazer as coisas pela maneira correta incorrem em desagrado e cólera dos que permanecem no proveito do caos, confusão e trapaças. Aqueles que fazem os seus trabalhos sem esperar nenhum benefício extracurricular em retorno, serão chamados por todos os tipos de nomes do descrédito, e de fato falsas estórias são freqüentemente inventadas contra eles, porque a natureza egoísta do homem não admite que as pessoas dêem mais crédito a outrem do que são capazes de admitir para si mesmos.

Para sua própria paz, os menos idôneos têm necessidades de iludir sua consciência com uma fachada, falsas suposições e justificativas.

É necessário que eles se conscientizem que os outros podem vir a fazer o que na verdade deveria estar sendo feito por eles mesmo.

Se eles exigem propina antes de fazer o seu trabalho, para o qual eles são por outro lado muito bem pagos, eles também devem admitir que qualquer outra pessoa o faça, mas se eles repentinamente descobrem que há mudanças nas regras adotadas; a reação será imediata, um ataque.

Este é o motivo pelo qual aqueles que vivem por e em defesa da verdade sofrerem uma enorme hostilidade e privação. Mas em contrapartida seu consolo reside numa recomendação de Deus a Omonighorogbo no céu, em continuar o seu caminho escolhido em defesa da verdade. Acima de tudo, há a eterna satisfação e integridade numa vida distinta.

Se cada um isoladamente, ao invés de perder a sua cabeça fosse capaz de conservá-la, a defesa e conclusão justa que vem para eles estarão com certeza ao lado da verdade, e é muito mais gratificante que todas as atrações transitórias que o dinheiro pode comprar.

O questionamento que muitos levantam é quais os benefícios materiais derivados da objetividade ética.

É moda comparar a satisfação material em termos não das necessidades imediatas do homem, mas

de cobiça. O homem que furta dos cofres públicos é capaz de obter um jato particular, em um meio aonde pessoas não conseguem sequer obter trabalho para viver respeitavelmente, devendo ser ambicioso ao extremo, quando existem linhas aéreas comerciais que o levariam aonde ele quisesse ir. O escritório público que dobra o custo lógico ou funcional de um projeto só porque é a comissão que ele espera receber, comete um crime imperdoável contra a humanidade, porque o custo agregado de sua perfídia para a sociedade irá preparar futuramente novas oportunidades de sofrimento de grande número de pessoas.

Quando o íntegro vê o inescrupuloso na sociedade e vê que são ostensivamente mais prósperos, há uma tendência em se questionar se é mérito ter intenções abnegadas. Orunmilá nos contará que benefícios de fraude são um progresso aparente, mas se alguém chegou perto o suficiente do objetivo de sua ambição, irá descobrir que seu contentamento material é vazio e fútil e que ele não é o que parece ser. E se ele tiver sucesso com a sua cobiça, a punição será repassada para seus filhos e netos até que seja reparado completamente o que ele indignamente extraiu da sociedade.

Com relação a isto, nós veremos como Orunmilá estipula a satisfação derivando de uma vida de acordo com as leis divinas e a pobreza espiritual daqueles que acreditam que podem se fazer pela fraude. Embora existam inúmeros exemplos nas palavras de Ọrúnm.lá, nas quais os sacrifícios foram feitos pelos malfeitores a fim de alcançar êxito em suas fraudes nefastas, entretanto Orunmilá os torna completamente sem efeito, que cada bom resultado alcançado será meramente efêmero.

Assim que Deus se manifestou pela luz para vencer as forças das trevas e as forças do mal, Exú jurou que levantaria uma batalha feroz para obter ascendência sob as criaturas de Deus.

O homem próspero é alguém cuja satisfação final deriva do que ele tem e o que ele é, e o pobre é alguém que apesar de pouca riqueza material, segue insaciável na questão de incessante aquisição material às custas dos outros. Para o que qual seria a diferença entre um ladrão comum e um cavalheiro se ambos aspiram apenas às metas monetárias às custas da integridade alheia?

Não há justificativa plausível para hipotecar uma consciência na questão de riqueza pra legar aos filhos, enquanto nega a essas crianças a dignidade de herdar seu bom nome, porque o melhor legado que um homem pode deixar para seus filhos são os seus princípios e a sua identidade. As crianças podem ser orgulhosas de seu bom nome, mas não o serão de sua riqueza se todos souberem que eles a adquiriram inescrupulosamente.


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